Meia Furada.

Descobri ontem, que tentei mas não consigo usar meia furada. Melhor explicando: odeio o furo que sempre está maior que quando visto pela última vez. Irrita-me.
(Ah, tenho um lindo cão que adora meias, independente se estão ou não nos pés. Tudo é motivo para que ele morda meus pés - com meias - ou saia pela casa com uma entre os dentes.)
Depois que vesti a meia, notei que tinha um pequeno furo bem no dedão, mas pensei: um furinho de nada! Andei por partes da casa para fazer o que era necessário e quando notei o furo havia aumentado. Comecei a me irritar com o furo. Sim, com o furo. É patético, mas pura verdade. Sei que o fato é mais simples do que está parecendo. Era apenas trocar e estava resolvido. Mas amo estas meias e não queria trocá-las. Talvez tenha ficado com dó das meninas presentes nas meias que ficariam abandonadas no fundo da gaveta. Tentei me "acostumar" com o furo, mas quando tentei dormir, não deu. A meia com o dita furo gritava em minha cabeça: tire-me daqui. E então cedi. Tirei-a. Sim, tirei apenas a meia que estava "com defeito" e dormi com a outra. Na hora pensei: dormir com uma? Será que sentirei frio neste pé? Bom, qualquer coisa o outro esquenta. Mas dormi com o vazio que a meia furada deixou.
Por incrível que pareça esta meia me fez pensar em minha vida.
Decepção? YES.
Decepção. Palavra forte para se começar um texto..mas é o que sinto em relação à fatos recentes de minha vida. Talvez o que nos decepcione não seja o fato de alguém, propriamente dito, nos decepcionar, mas nós mesmos. Talvez a decepção seja maior por termos colocado ( e pq não APOSTADO??) expectativas em alguém que mostrou não ser merecedor. Decepcionamo-nos por termos enganado a nós mesmos. (EXISTE ALGO PIOR QUE ENGANAR A SI MESMO??)Pois acredito que a decepção nada mais seja do que o oposto da soma de tudo que investimos e dedicamos a alguém.
SOLUÇÃO: Investir menos em tudo. Quem sabe assim a decepção seja menor e menos dolorosa. Mesmo quando se trata do próprio pai.
Noite negra.

Hoje, depois de passar por um dos piores momentos da minha até então vida, lembro-me de duas pessoas: DÉBORA E MARI (POR ORDEM ALFABÉTICA... PRA NÃO DAR PREFERÊNCIA A NENHUMA, AS DUAS SÃO UMA SÓ - PARA MIM). Segue texto do Carpinejar, estou traduzida nas belas palavras a seguir..
"..O amigo é aquele que tem todos os motivos para desistir de você e não desiste. Você fez por merecer a separação. Exagerou. Afastou o abraço, gritou que ele não o compreende. Mas o amigo entende até na incompreensão. Aguarda entender. Eu preciso de um amigo que não me renuncie quando já desisti. Que me lembre de não desistir. Que seja insistente como o esquecimento dos velhos. Que desperte o meu humor no desespero, que se desespere com a ausência de notícias. Um amigo que não numere as páginas do livro. Toda página pode ser a mesma. Um amigo que sopre meu rosto perto de sua boca, como uma gaita de mão. Um amigo capaz de esconder seu amor para proteger a amizade e de me aconselhar a seguir o que ele tinha vontade. Um amigo que desconheça minha infância para repeti-la, que conheça minhas dores para não tocá-las, que assobie minha alegria para alardeá-la. Que não me torture com os meus defeitos. Que me perdoe por não ser como ele. Aliás, que me agradeça por não ser igual a ele. Um amigo que não use meus segredos para ganhar outros amigos. Um amigo que abra o vidro do carro para apanhar o resto do céu. Que cante alto no volante no momento em que ansiava pelo silêncio e me obrigue a dispensar a timidez para desafinar junto. Na estrada, o vento também canta de olhos fechados. Um amigo com cheiro de cortina. Isso: cheiro de cortina, com a experiência de enrolar várias e várias vezes o corpo na cortina. E que tenha recebido beijos dos pais com o tecido arregalado no rosto. Quem se escondeu na cortina deu giros dentro de si e de seus problemas e aprendeu a regressar. O amigo do primeiro desejo, não do último. O amigo que não me espera no recreio, o amigo que me espera no final da aula. O amigo que é a haste do mar, que não fica de pé no barco, para não desequilibrá-lo. Não quero um amigo que fuja na primeira ofensa, que se isole ofendido num canto, amarrado no orgulho, condicionado às palavras. Um amigo que não fale por mim, que fale através de mim. Não quero um amigo que me ofenda porque não atendi suas expectativas. Amigo não tem expectativa, tem esperança. O amigo vai procurá-lo não sendo necessário. Vai aumentá-lo enquanto está diminuído e vai diminuí-lo para preveni-lo da ambição. O amigo é do contra ao seu lado. O amigo dirá as verdades por respeito, não se eximirá de opinar, tudo com zelo e contenção. Não abandonará a corda da pandorga ainda que ela sirva de fio telefônico para chuva. Tive amigos que se fecharam, desapareceram, que me trocaram por uma fofoca, que chegaram à porta e recuaram ao portão. Esses amigos não foram amigos, se é amigo só depois da amizade. Depois de sofrer com a amizade. O amigo é como um irmão, que se briga feio, se discute aos pontapés e palavrões e volta a se falar. Volta a se falar porque é irmão. O amigo sempre volta. Pensando bem, não volta, nunca saiu do lugar. Ele é a rua que atravesso para chegar em casa.."
"..O amor é nostálgico e se fortalece em desenterrar os ossos. O amor tende a ser lembrança do amor. Melhor seria se fosse presságio do amor. Uma vez dito: eu te amo, a impressão é que o amor tende a crescer e nunca terminar, que ele já fez seu trabalho e agora tem direito a descansar. O amor não tem domingo. Talvez se transforme em uma crença: eu amo aquela pessoa e pronto. Nada é capaz de dissuadir a afirmação do contrário. Isso é um erro. O amor é contrariar o próprio amor, para afirmá-lo em seguida. Não acaba de seduzir. O amor é seduzir a si mesmo, depois de seduzir alguém. O amor não é uma verdade, muito menos uma mentira. Está se convencendo de que existe. E existir depende de não se convencer. Corresponde a uma descoberta inventada. Descobre-se um sentimento que a gente inventou. Inventar é permitir que cresça a empatia, que a paixão se instale, que faça sentido, que até se aborreça de não ter chegado antes. No amor, ninguém entra sem pedir licença. Ninguém entra sem a concordância do outro, ainda que involuntária. Ninguém entra sem um "amém", um "obrigado", um "estava esperando", uma saudade, um aceno, uma necessidade. Mas amar é justamente não ter certeza. Não encerrar o assunto. Ama-se aos bocados, não ama-se como um pacote turístico, com passagens, hotéis e passeios orientados. Amor é sofrer a inexistência do amor. Combater com mais amor o que está se esgotando. Amor é reconhecer a possível ausência do amor em alguma hora e recomeçar. É identificar a condição de já ter sido mais forte e remar violento com a boca em direção ao fundo. Nadar na alegria do desespero. Houve dias que minha filha não me amou. Houve dias que minha mulher não me amou. Houve dias em que eu não amei. Mas houve dias em que minha mulher me amou em dobro, que minha filha me amou em dobro, que eu amei como se não houvesse um entardecer do braço.."
FABRÍCIO CARPINEJAR, MEU MÁGICO PREFERIDO.
Meu Brasil Brasileirooooo

Ontem à noite, estava vendo o programa que passou, após "Sob Nova Direção", Brazilian Day (realizado em Nova York). Algumas palavras ditas pela cantora Cláudia Leite (Babado Novo) me chamaram a atenção. A vocalista, do grupo, falou da saudade que os brasileiros que estavam lá, por algum motivo, estariam sentindo de "casa" - Brasil.Fiquei espantada com a multidão que estava presente e mais ainda quando a maioria do público cantavam as canções apresentadas pelos artistas brasileiros. Alguns até choravam. As lágrimas talvez não fossem pelas músicas, mas sim pelas lembranças apresentadas pelos mesmos. A nacionalidade inflamou. O verde e o amarelo eram vistos, e vestidos, na maioria dos presentes. Fiquei arrepiada, uma prova particular de que amo minha nação.Sim, tenho vontade de ir para outros países, A PASSEIO, ou por um período determinado de tempo. Hoje, posso afirmar que se tiver escolha, futuramente, pretendo passar meus últimos dias por aqui mesmo. Dentre tantos meios de comunicação, confesso nunca ter visto um povo tão persistente como o brasileiro. Um povo por muitas vezes desiludido, mas na maioria das vezes, com um sorriso estampado no rosto. Não trocaria a beleza de nosso litoral por nenhum Central Park.Nossa política passa longe do ideal, mas não falemos desse assunto tão irremediável. Particularmente, odeio política e políticos. Poucos e bons existem, mas ainda não tive o prazer de conhecer nenhum.A diversidade étnica me encanta. A fusão de culturas gerou brasileiros de verdade.Não estou escrevendo para criticar outros países, os quais possuem suas belezas indiscutíveis também; mas para dizer: Sou brasileira, com muito orgulho, com muito amor.